Residência multiprofissional em saúde: o que é e como entrar

A residência multiprofissional em saúde é uma pós-graduação feita dentro dos serviços de saúde, com dedicação integral e bolsa. Criada pela Lei 11.129/2005, ela forma especialistas aprendendo na prática, em equipes que reúnem várias profissões, e é muito valorizada em concursos e processos seletivos.
Quem pode fazer
A residência multiprofissional e a residência em área profissional da saúde são voltadas a graduados de profissões da saúde, exceto a medicina (que tem a residência médica). Entre as profissões atendidas estão:
- enfermagem, fisioterapia, nutrição e farmácia;
- psicologia, serviço social e terapia ocupacional;
- fonoaudiologia, odontologia e educação física;
- biomedicina, ciências biológicas, medicina veterinária, física médica e saúde coletiva, conforme o programa.
Cada programa define quais profissões aceita e quantas vagas oferece para cada uma.
Como funciona
- Duração: no mínimo dois anos.
- Carga horária: 60 horas semanais, em regime de dedicação exclusiva.
- Formato: a maior parte é prática, em serviço, sob supervisão de preceptores; o restante são atividades teóricas e teórico-práticas.
- Bolsa: o residente recebe uma bolsa mensal, paga em geral pelo Ministério da Saúde ou pelo Ministério da Educação.
- Certificado: ao final, o residente recebe o título de especialista na área do programa.
Os programas são acompanhados pela Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde, ligada ao MEC e ao Ministério da Saúde.
Áreas de concentração
Há programas em praticamente todas as áreas: terapia intensiva, urgência e emergência, saúde da família, saúde mental, oncologia, cardiologia, saúde da mulher e da criança, saúde do idoso, atenção ao paciente crítico, entre outras. Hospitais universitários, secretarias de saúde e hospitais de referência são os principais ofertantes.
Como é a seleção
A seleção costuma ter:
- Prova objetiva: com questões de políticas públicas de saúde e SUS e conhecimentos específicos da profissão.
- Análise de currículo: em muitos programas, pontuando monitorias, iniciação científica, estágios extracurriculares e cursos.
- Entrevista ou prova discursiva: em alguns programas.
Há programas com seleção própria e outros que participam de exames unificados nacionais. Os editais costumam sair no segundo semestre, para início no começo do ano seguinte.
Como se preparar
- Estude SUS: Lei 8.080/1990, Lei 8.142/1990, políticas nacionais (atenção básica, humanização, segurança do paciente) e redes de atenção. É o conteúdo comum a todas as profissões.
- Revise os conteúdos específicos da sua profissão, com foco na área do programa desejado.
- Resolva provas anteriores dos programas e exames em que pretende se inscrever.
- Cuide do currículo durante a graduação: guarde certificados de monitoria, projetos de extensão e eventos.
As dicas de como estudar para concurso de enfermagem também servem para a residência, porque a parte de SUS é muito parecida.
Vale a pena?
A residência exige muito: são 60 horas por semana durante pelo menos dois anos, o que torna difícil conciliar com outro trabalho. Em troca, oferece formação prática intensa, experiência em serviços de referência e um título valorizado. Para quem quer trabalhar com flexibilidade, a pós-graduação lato sensu pode ser uma alternativa.

